SÃO BENEDITO COZINHEIRO



ICONE DE SÃO BENEDITO COZINHEIRO





Texto de Meditação


O provincial franciscano entregou-me a função de cozinheiro do convento. Recebi a tarefa em silêncio, beijando-lhe a mão, pois compreendo que a obediência também é caminho de santidade. Muitos talvez desprezem este lugar de fumaça, gordura e trabalho pesado. Eu não. Sei que Deus costuma esconder suas maiores graças justamente nos serviços mais humildes. Entre panelas ferventes, lenha queimando e chão sujo de farinha, meu orgulho será lentamente esmagado.

Conheço os homens. Sei que não será fácil agradar ao paladar dos irmãos. Alguns reclamarão do sal, outros da sopa rala, outros do pão queimado. Haverá impaciência, palavras duras, censuras injustas. E talvez esta seja precisamente a forja que Deus escolheu para mim. A cozinha será meu deserto. Cada crítica suportada em silêncio domará a fera do orgulho que ainda vive dentro do meu peito.

Esta manhã retirei do forno uma nova fornada de pães. O calor ainda lhes fazia cantar a casca. Parti um deles com as mãos e provei-o: estavam bons, graças a Deus, muito bons. O cheiro espalhou-se pela cozinha como bênção. Então, discretamente, separei uma cesta. Aqueles pães não pertencem à mesa dos frades. Estão reservados para os pobres que certamente baterão hoje à porta do convento.

Nossa Sicília atravessa tempos terríveis. A fome anda pelas ruas como um animal feroz. Vejo crianças magras, mulheres desesperadas, velhos sem forças sequer para mendigar. Muitos chegam até nosso mosteiro trazendo nos olhos aquela vergonha silenciosa dos que pedem pão pela última vez antes do desespero.

Alguns irmãos temem que a despensa esvazie. Eu também sou homem e conheço o medo. Mas conheço igualmente a providência de Deus. O Senhor jamais abandona aqueles que repartem. Enquanto houver um pedaço de pão em nossa cozinha, ele será dividido. Se Cristo multiplicou os pães no deserto, poderá também sustentar este pobre convento perdido entre as colinas da Sicília. E se um dia nada mais restar sobre esta mesa senão farinha espalhada e brasas apagadas, ainda assim darei graças. Porque aprendi que cozinhar para os irmãos e alimentar os pobres talvez seja apenas outra maneira de permanecer ajoelhado diante de Deus.

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